Não poucas vezes, o maestro ou maestrina enfrenta problemas de excesso ou ausência de determinado instrumento em sua orquestra, banda, e até grupo de louvor; 10 músicos querem tocar saxofone, 6 querem tocar trompete, 2 ou 3 querem violino e o regente fica indeciso de como resolver os desfalques de sua orquestra e equilibrar os excessos. Mas, contando com um pouco de persuasão e técnica para equilibrar uma formação, sua orquestra ou banda não ficará desfalcada, nem excederá em nenhum timbre. Para o arranjador escolher os instrumentos corretos, a quantidade correta, e desenvolver as texturas sonoras entre os naipes e a manipulação da coloração timbrística fez uso de uma técnica que é chamada de Escrita Sinfônica. Ao maestro, regente ou líder de louvor, caberá o desafio de remanejar instrumentistas ou partituras na medida do possível, para que o resultado seja uma textura agradável e satisfatória.
Antes de definir como irá equilibrar a formação de sua orquestra é preciso colocar os seguintes dados em pauta:
• Que estilo de música a orquestra ou banda irá tocar?
• Qual o número de músicos você tem à disposição?
• Qual o nível de versatilidade dos músicos para tocar instrumentos similares ou ler partituras de instrumentos similares?
Com esses dados definidos, é hora de pôr em prática a formação ideal para sua orquestra. Em primeiro lugar, consideremos os três elementos básicos da música aplicados para a Escrita Sinfônica de um determinado arranjo:
Melodia: Tema principal
Harmonia: Alicerce da textura e acentuação rítmica
Ritmo: Compasso, andamento e definição percussiva
Se você tem, por exemplo, muitos instrumentos que façam a função Melodia, e desfalques na função Harmonia e Ritmo, você terá como resultado uma execução vazia. E se a sua orquestra é formada pela grande maioria de instrumentos de Harmonia e Ritmo, parecerá que as execuções são sempre play-backs.
Segue abaixo uma lista comparativa de funções mais adequadas às técnicas de execução e do timbre de cada um dos instrumentos citados:
Violino: Melodia
Viola: Melodia (linha de Contralto)
Violoncelo: Harmonia (linha de Baixo com ênfase em articulações)
Contra-Baixo Acústico: Harmonia (linha de Baixo)
Trompete: Melodia (com ênfase em ataques e articulações)
Oboé: Melodia
Clarinete: Melodia (com ênfase para arpejos e ornamentos)
Sax Alto: Melodia (com ênfase em contraponto)
Sax Tenor: Harmonia (com ênfase em articulações)
Sax Soprano: Melodia (com ênfase em contraponto)
Flauta: Melodia (com ênfase em ornamentos)
Sax Barítono: Harmonia (linha de Baixo com eventuais ataques)
Trombone: Harmonia
Bombardino: Harmonia (com ênfase em articulações)
Trompa: Harmonia (com ênfase em articulações)
Baixo Tuba: Harmonia (linha de Baixo com eventuais em articulações)
Guitarra: Harmonia (linha rítmica com eventuais articulações ou ataques)
Teclado: Teclado (linha rítmica com ênfase melódica e eventuais articulações)
Contra-Baixo Elétrico: (linha de Baixo, com ênfase rítmica)
Bateria: Ritmo
Percussão: Ritmo (linha rítmica com eventuais ataques)
Definimos aqui as funções “standard” de cada instrumento, mas freqüentemente pode-se encontrar um arranjo em que o Violoncelo por exemplo, tenha um trecho incidental em que faça a Melodia; e o resultado é belíssimo! No entanto, isso requer uma certa habilidade do arranjador para que equilibre as funções dos outros instrumentos melódicos para que não exceda a função melódica e nem fique uma “brecha” na função do Violoncelo, que está momentaneamente ausente. Veja dois exemplos de formações de orquestras pequenas:
| ORQUESTRA A
02 Trompetes 02 Clarinetes 02 Sax Altos 01 Sax Tenor 01 Teclado 01 Contrabaixo Elétrico 01 Bateria |
ORQUESTRA B
04 Violinos 01 Viola 01 Violoncelo 01 Contra-Baixo 02 Trompetes 03 Trombones 02 Trompas 01 Baixo Tuba 01 Piano Tímpano |
Observe que a formação da Orquestra A tem um caráter mais contemporâneo, enquanto a Orquestra B, têm uma estrutura mais erudita. A Formação A apresenta uma deficiência para o maestro resolver que é a falta de instrumentos de grosso calibre e a formação B, apresenta deficiência na ausência de instrumentos melódicos; embora tenha 04 Violinos, esse naipe acaba sendo proporcionalmente pequeno quando junto aos outros naipes de timbre mais intenso e de maior volume de som. A solução nesse caso da orquestra B, poderia ser a de executar no piano uma partitura que desse apoio melódico, (como por exemplo, inserir cifras numa partitura de Violino ou de Flauta e dar para o pianista executa-la). E para resolvermos o excesso de melódicos na orquestra A, poderia ser a de colocar os Sax Altos numa partitura de Trompa em Mib e deixar a função melódica sendo alternada entre Trompetes e Clarinetes.
Portanto, se você tiver a oportunidade de influenciar diretamente no “nascimento” da formação de sua orquestra, procure não desguarnecer muito uma linha de execução e nem sobrecarregar outra, e tendo cuidado para não desestimular o músico, que deseja “desesperadamente” tocar aquele instrumento que outros 10 alunos já optaram pelo mesmo!
Caso você já tenha uma formação que precise de alguns improvisos (como quase sempre ocorre), analise bem o material que você tem em mãos e o que pode trabalhar nele para que os arranjos soem mais bem preenchidos, com texturas sonoras compactas e o nome do Senhor seja glorificado através de sua banda ou orquestra.
Jonatas Terceiro – Músico, Arranjador e Diretor da Editora Primórdios em SP
30 de janeiro de 2009
Muito obrigado pelos conselhos. Por causa deles poderei faze uma boa orquestra!
Excelenteeee
Não tem como vc publicar algo mais formal e mais detalhado como um livro por exemplo sobre esse assunto ?
Isso é 10 pra gente que tem q lidar com musicos VOLUNTARIOS….
Obgdo!!!
gostei muito desse site que me ajudoiu muito