Implantação de aulas de música na igreja – Parte I

Nas inúmeras denominações, espalhadas por todo o nosso país, podemos encontrar algumas com pessoas muito interessadas em projetos de música, outras com alguns projetos de música no papel, e outras com uma boa infra-estrutura musical. Raramente você irá encontrar alguma igreja ou instituição evangélica que não tenha interesse ou necessidade alguma de investir nessa área que sempre foi imprescindível, principalmente na parte litúrgica.  A grande diferença, no entanto entre a igreja que está há anos com os projetos de música apenas no papel, para a outra que já tem uma boa estrutura nesse ministério, começa nas aulas de música.

Neste artigo, vamos detalhar princípios importantes que devem ser adotados para que o projeto do início da sua banda, orquestra, coral, grupo de louvor tenha total êxito. Espero poder contribuir em muito com os maestros, levitas, músicos e batalhadores desse importante ministério que é tão espinhoso e difícil de se lidar: O Ministério do Louvor!

Antes de dar o passo inicial no seu projeto, ore bastante e peça direção ao Senhor, desde a escolha da equipe até à realização dele, pois fisicamente você irá entrar num empreendimento tão sério e complicado como qualquer outro empreendimento comercial e espiritualmente numa guerra! Se você é uma pessoa que procura entender melhor o mundo espiritual vai compreender rapidamente que esse projeto não vai agradar nada, ao mundo das trevas e que eles não vão poupar ataques para que o projeto não seja implantado e nem tenha sucesso.

O projeto deverá ser apresentado pela equipe ao Pastor ou ao líder imediato responsável pela área de Louvor.
Esse item é importante, pois sem respeitar a hierarquia da igreja, você estará começando errado. Se houver algum líder de Louvor em sua igreja, por regra você deverá se reportar primeiro a ele, e ele por sua vez, irá levar o projeto ao seu superior que pode ser o Pastor.
Se já houver algum departamento de música estabelecido na igreja, é saudável que você comente com o(s) líder(s) sobre o seu projeto e troque idéias e experiências. Além de matar pela raiz, prováveis “choques”, você ganhará mais pessoas para te apoiarem no projeto.

Para uma implantação firme, começaremos pela sua equipe de trabalho: Estabeleça diferentes pessoas (ou equipes) e as metas de cada uma delas:

Gestor (es) – Cuidar de toda a parte administrativa das aulas: inscrição dos alunos, controle de freqüência, divisão de turmas (caso seja preciso), programação dos horários de aulas, controle de mensalidades (caso haja), providências de material didático (métodos, cadernos de música ou partituras)

Professor(s) – Lecionar para os alunos inscritos.

Divulgador(s) – Como o próprio nome já indica, essa(s) pessoa(s) terá (ão) a tarefa de divulgar o curso proposto, o horário e quando questionado(s), ter como explicar alguns detalhes do conteúdo do curso.

Essa é uma tese de funções, baseada numa equipe de pessoas envolvidas no projeto. Porém, eu imagino que alguns leitores já devem estar se questionando: “Bem, agora vamos à minha realidade: Eu serei o Gestor, Professor e Divulgador…”
Mas não se preocupe. Sua realidade é na verdade, a realidade da grande maioria das aulas de música que são implantadas nas igrejas! E é pensando nesses casos que mandamos a dica: Não há restrições para que o projeto dê certo, caso você seja o único da equipe, desde que, você consiga realizar todas as tarefas com um desempenho satisfatório. Quando uma ou mais tarefas começarem a “sobrecarregar” você, então é a hora de expandir o projeto, conseguindo novas pessoas para formar sua equipe.

O detalhe mais importante aqui, e que vale também para os maestros que já tem um número razoável de pessoas na equipe para iniciar o projeto, é que “a melhor maneira de descobrir as pessoas certas para trabalharem no seu projeto é quando o projeto já está em andamento”.
É claro que o ideal é começar já com uma equipe formada, (quando possível) que já seja de sua confiança e que você já considere idôneo para as tarefas estabelecidas, mas você irá perceber que muitas outras pessoas vão integrar sua equipe quando o projeto estiver em andamento, realizando “sub-tarefas” por exemplo:

• O porteiro que sempre abre a porta no horário e dia programado para a aula pode se apresentar como um excelente auxiliar do Gestor na tarefa de controlar a planilha de frequência das aulas.
• O aluno aplicado que pegou rápido as primeiras lições pode se apresentar como um excelente auxiliar do Professor na tarefa de avaliar os alunos mais atrasados na matéria ou os que tenham tido dificuldade em determinados pontos.
• O irmão que não tem aptidão nenhuma para música, mas que frequenta as aulas porque é apaixonado por música e instrumentos musicais, pode auxiliar o Divulgador na tarefa de divulgar o curso, explicando aos interessados quais os pontos o curso abrange e qual é a didática aplicada pelo professor.
• O irmão que trabalha com informática e queria muito fazer o curso, mas por causa do horário de trabalho, não pôde, pode se apresentar como um auxiliar do Gestor conseguindo o material didático adequado para o professor (métodos, partituras etc) por ter maior conhecimento de Internet para pesquisar onde encontrar o material pelos melhores preços.

Enfim, poderíamos enumerar muitos outros exemplos que iriam multiplicar a sua equipe de trabalho (ou fazê-la nascer…) sem você perceber!
Essas “revelações” que acabam montando uma equipe de apoio para o maestro muitas vezes também, fazem reformulações nela. Infelizmente em muitos casos, a equipe nomeada originalmente no projeto tem alguns integrantes que não cumprem seu papel como deveriam, ou por motivos de força maior acabam tendo que deixar a equipe e os exemplos citados acima se tornam verdadeiras “soluções imediatas” para que sua equipe não fique desfalcada.
Na próxima parte, iremos tratar sobre detalhes do andamento do projeto.

Jonatas Terceiro – Músico, Arranjador e Diretor da Editora Primórdios.

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