Outros Ventos – Música

Informação de músico, para músicos!

HIGIENIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE SOPRO

Como trabalho com compra e venda de instrumentos musicais, uma das questões mais comuns que escuto, relacionadas a instrumento de sopro, é: “…mas você testa e põe ‘isto’ na boca, e nem sabe de quem foi…” E eu sempre digo: “Depois que esta boquilha ficar bem limpinha, você poderá até mesmo almoçar com ela”, tanto é que não morri e nem estou doente depois de ter tocado em dezenas de instrumentos de diversas procedências e, na maioria das vezes, de desconhecidos. Realmente é uma questão muito importante tratar o instrumento musical de sopro como que se ele fosse uma extensão de você, ou seja, você toma banho todos os dias, escova os dentes, etc, e a boquilha/bocal do instrumento também merece a mesma atenção (não digo de você pegar a boquilha e levar pra tomar banho, por favor! Vão te mandar pro Juqueri logo logo se fizer isso!).

Meu conselho no geral é que uma lavagem com detergentes e uma escova com água quente é geralmente suficiente para limpar. Se você é mais “nojento/a” compre uma garrafinha de Listerine e jogue um pouco em todo o bocal/boquilha, deixando agir por um tempo, e lave. Se a boquilha ou bocal tiver incrustações, daí o jeito será um tratamento com vinagre. Veja a foto abaixo de uma boquilha de clarineta com incrustações.

O ideal é deixar a boquilha mergulhada em um copo com vinagre por pelo menos 6 horas para que vá soltando tudo. O vinagre é acido o suficiente (ácido acético) para soltar as incrustações, porém não é forte o suficiente para afetar o material da boquilha (massa/ebonite). O mergulho em vinagre não é muito recomendável para boquilhas/bocais de metal, pois podem ocorrer reações químicas que, com o passar do tempo, podem criar corrosão precoce do banho (a menos que sua boquilha seja de prata maciça ou já totalmente desplacada).Abaixo, a boquilha já totalmente limpa com o vinagre. Tome um cuidado especial com a cortiça, que NÃO DEVE ser mergulhada no vinagre para não afetar a cola que a prende à boquilha.

Já me deparei com casos graves, onde tive que usar um produto de limpeza muito forte, o “limpa-limo”, principalmente naqueles instrumentos que ficaram por décadas guardados em sótãos e que um dia o dono, fazendo a mudança, encontrou a clarineta perdida desde a época do colégio (muito comum quando compro clarinetas dos EUA). Para você ter uma idéia, minha esposa nem pega no case destes instrumentos que chegam em estado lastimável (claro que é um exagero da parte dela…), o qual deverá ficar aberto por uma semana em local bem arejado para que se disperse algum mal cheiro. É recomendável o uso de um produto de limpeza de tecido, com a metade da dosagem descrita no rótulo (Carpex é muito bom), para limpar a parte interna do case e depois deixar secar bem até exalar o cheiro do produto. A parte externa do case, se for plástico, pode se usar um detergente neutro de cozinha, para lavar louça, tendo-se a certeza de remover todo o excesso de espuma que possa causar a fim de que o material não seja danificado depois. As palhetas SEMPRE devem ser umedecidas antes do uso, portanto, aproveite a ocasião e de uma caprichada fazendo uma limpeza, apenas com os dedos polegar e indicador, no sentido da base para as pontas.

E lave bem as mãos antes deste processo, senão é você quem contamina as próprias palhetas (coliformes fecais são os mais comuns encontrados por aí – não sei se você assistiu o programa “Mythbusters” sobre este tema).Não se esqueça também que seu instrumento pode ter chaves e orifícios onde você põe os dedos e mãos; logo, estas partes também devem ser limpas periodicamente, sem líquidos abrasivos (use um cotonete para limpar os orifícios de sua clarineta com um pouco de água quente – cuidado molhar muito se sua clarineta for de madeira).

Lembrando da aula de biologia…

Analisando friamente todo este risco, você deve ter ciência que qualquer coisa que tenha tido contato externo, e que depois seja levada até sua boca, pode estar contaminada. Se você for a um restaurante, espera que todos os talheres estejam bem limpinhos, embora milhares de pessoas já tenham colocado a boca nele, não é mesmo? E todos presumem que também é certo que um(a) bocal/boquilha é um bom lugar para que as bactérias vivam e proliferem – é um ambiente protegido, freqüentemente morno e úmido, com uma fonte quase constante de nutrientes, e há todo o número de cantos, dobras ou frestas em que colônias substanciais de bactérias podem se esconder.

Isto pode soar um tanto nojento, mas essa descrição poderia fàcilmente aplicar-se a sua boca – e em algum grau, outras partes do corpo humano… como as unhas.
Este é o primeiro princípio que deve ser aceito: as bactérias estão em toda parte, e pelo simples fato de você ter vivido o suficiente para ler este artigo, indica que nós podemos coexistir bem felizes com um número astronômico destes seres pequeninos que estão em toda parte, inclusive no ar que respiramos.

Contudo, as pessoas se preocupam muito com a questão de doenças e infecções, mas isso pode estar ligado a outros fatores, tais como alguma falha do sistema imunológico, quando nosso corpo não é capaz de “lutar” contra estes germes e bactérias, talvez devido a uma doença recente, ou a uma concentração destes invasores, debilitando as defesas naturais do corpo.
No primeiro exemplo, a possibilidade de contrair doença através de uma bactéria rara e virulenta em um bocal/boquilha de segunda mão, são extremamente raras. Implicaria em a bactéria poder sobreviver no período entre a última vez que o instrumento foi tocado, posta a venda, comprada e tocado outra vez – e supondo que nenhum processo da limpeza de toda a sorte tenha ocorrido. Supõe-se também que o proprietário anterior estava infectado com esta bactéria rara; e assim, esta tem que sobreviver o suficiente para ser vendida junto com o bocal/boquilha.

No segundo exemplo o risco é maior, o qual seria um risco universal, pois a vida cotidiana seria simplesmente perigosa per si (ninguém usaria uma banheiro de restaurante com tranqüilidade – existe coisa mais suja no mundo que botão de descarga?) Além disso, você teria que ingerir uma quantidade muito significativa de material contaminado para ser realmente infectado. Nunca ouvi ninguém dizer que enviou a boquilha que comprou usada para um exame de biópsia antes de começar a usá-la (mas…existe louco pra tudo).

Os testes:

Partindo-se do pressuposto que vírus e bactérias podem viver em sua boca e que estas, se encontrarem condições externas que venham a mantê-las vivas por determinado espaço de tempo (veja que alguns yogurts e o yakult têm lactobacilos, que na realidade são pequenos seres que conseguem viver num ambiente propício), o que provavelmente seria encontrado em um bocal/boquilha infectado?

Sem querer entrar muito na área da biologia (matéria que entendo tanto quanto um biólogo entende de instrumentos musicais), nos EUA foram feitas algumas pesquisas pessoais em boquilhas recém tocadas por infectologistas, biólogos, microbiologistas, que também eram músicos. Algumas das ocorrências mais interessantes incluem o staphylococcus aureus – uma variante que é responsável pela MRSA/ORSA (staphylococci resistentes ao tratamento com antibióticos); Staphylococcus saprophyticus – responsável para infecções do sistema urinário; e vários Haemolytic streptococci – que são responsáveis por implicações de gargantas, infecções de ouvidos e em problemas respiratórios, e que estes micróbios permaneciam vivos ainda por algumas horas após o usodo instrumento. Nojento, né? Portanto ABOMINE A PRÁTICA DE COMPARTILHAR BOQUILHAS/BOCAL E PALHETAS! Isto é comparável, ou mesmo pior, a você pedir a escova de dentes emprestada de um amigo logo após que ele acabe de fazer uso.

Testar adicionais em boquilhas que não tinham sido usados por um considerável período de tempo (diversos meses) mostrou um reduzido número de determinadas colônias onde ainda haviam sobreviventes muito fracos, que, virtualmente, seriam incapazes de infectar uma pessoa com o sistema imunológico ativo. Nunca vi caso de músico que tenha ficado internado, com a boca ou garganta inflamada, após ter tocado em uma boquilha/ bocal que tenha sido, pelo menos, lavado com água e detergente.

Realidade dura e crua…

Bem, chegamos ao ponto de dizer que, quer você goste ou não, ou quer você queira ou não, é impossível, fora de um ambiente esterilizado e controlado, vivermos normalmente sem a presença de micróbios e bactérias, em tudo que tocamos, e inclusive dentro de nós mesmos, e que a contaminação faz parte de nossa vida cotidiana. O que devemos fazer é minimizar o risco de contágio com práticas comuns do dia-a-dia, sem paranóia, Ok? Não seja um Monk! (personagem de um seriado de TV que tem mania de limpeza). Assim como suas meias e roupas são lavadas e depois você as usa novamente (o “chulé” e o mau cheiro do suor nada mais é que a reação química das fezes das bactérias e micróbios que vivem em nosso corpo) assim também deve ser a atitude diária ou cotidiana com tudo aquilo que você leva à sua boca, ou seja, o senso de limpeza normal. Para o músico que toca diariamente, uma simples lavada após tocar seria o ideal, e uma limpeza semanal (com escova, detergentes, esterilizante bucal) seria o suficiente para manter seu bocal/boquilha em ordem.

Já ouvi casos de músicos ( daqueles que tocam na noite, é claro) me dizerem que, antes e depois de tocarem, pegam um pouco da bebida que está à disposição e jogam um pouco na boquilha e palhetas para eliminar problemas de mau cheiro nos estojos, pois afirmam que o álcool ajuda a esterilizar tudo.

Abraço e até a próxima…

Orivaldo Hosti é flautista e saxofonista, cursou música na Faculdade Teológica Batista de São Paulo.

Higienização de instrumentos de sopro, 10.0 out of 10 based on 3 ratings
Flauta Yamaha Doce Soprano Germanica Yrs 23   Dinhos Music
Flauta Yamaha Doce Soprano Germanica Yrs 23 Dinhos Music
Mais info»
Escaleta Piânica Teclado Csr 37 Teclas   Estojo   Nf,    Nova!!
Escaleta Piânica Teclado Csr 37 Teclas Estojo Nf, Nova!!
Mais info»
Gaita Diatônica Free Blues 7020 Hering   Bag   Dicas
Gaita Diatônica Free Blues 7020 Hering Bag Dicas
Mais info»
Gaita Diatônica Freedom Em C(dó) 20 Vozes Cromada
Gaita Diatônica Freedom Em C(dó) 20 Vozes Cromada
Mais info»
Gaita Harmônica Stagg 32 Vozes Dó(c) Diatônica Promoção !
Gaita Harmônica Stagg 32 Vozes Dó(c) Diatônica Promoção !
Mais info»
Flauta Transversal Winner Dó Estojo Térmico E Frete Grátis !
Flauta Transversal Winner Dó Estojo Térmico E Frete Grátis !
Mais info»
Flauta Transversal Chinesa Dizi De Bambu,   em E Mí
Flauta Transversal Chinesa Dizi De Bambu, em E Mí
Mais info»
Trompete Winner Sib Laqueado Com Case Abs E Luvas
Trompete Winner Sib Laqueado Com Case Abs E Luvas
Mais info»

RECOMENDAMOS

Postado em Saúde |

3 Comentários em Higienização de instrumentos de sopro

  1. BERNARDO's Gravatar BERNARDO
    15 de fevereiro de 2010 at 23:43 | Permalink

    eu vou tocar um trombone de pisto no colegio na banda e eu nao sei quantas pessoas colocarão a boca bo bocal o que devo fazer para limpar ele??

    VA:F [1.9.7_1111]
    Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
  2. Thalita's Gravatar Thalita
    19 de outubro de 2010 at 12:56 | Permalink

    Oque faço para tirar uma manchinha da boca da minha flauta?

    VA:F [1.9.7_1111]
    Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
  3. Bianca's Gravatar Bianca
    8 de março de 2011 at 12:59 | Permalink

    Eu tenho uma gaita quecamprei no bazar e quero esteriliza-la.Como faço?

    VA:F [1.9.7_1111]
    Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Deixe um comentário

® Outros Ventos – Música - 2012 | Mingo Theme by Davi Oliveira | Chuveiros e Duchas